Quem inventou o AVIÃO?

Santos-Dumont e irmãos Wright firmam a paz

Familiares dos americanos e do brasileiro se encontram pela primeira vez, em São Paulo. Idéia é divulgar os pioneiros da aviação, em vez de promover disputas entre eles.



Amanda Wright Lane, sobrinha-bisneta de Wilbur e Orville, e Mário Villares, sobrinho-neto de Santos-Dumont.

Na Base Aérea de São Paulo, em Cumbica, após mais de cem anos de contendas, finalmente foi selada a paz numa das mais famosas disputas por prioridade científica da história: a invenção do avião. Num encontro inédito, a sobrinha-bisneta dos irmãos Wright e o sobrinho-neto de Alberto Santos-Dumont enfatizaram que o espírito pioneiro -- presente dos dois lados -- é o que realmente conta. 

"Temos de ser factuais a respeito desse assunto", diz Mário Villares, o parente do inventor brasileiro. "É verdade que os Wright voaram antes? É. Usavam catapulta? Sim. É verdade que Santos-Dumont voou depois, decolando pelos
 próprios meios? Sim. Cada um tem os seus méritos." 

Amanda Wright Lane, parente de Wilbur e Orville, concordou, adicionando que a discussão sobre quem foi o primeiro a voar nem era uma obsessão da dupla americana quando eles desenvolviam seu aparelho. "O tio Orv só teve de empurrar essa história de 'primeiro a voar' depois que a Smithsonian decidiu dizer que um avião de Langley, um ex-secretário da instituição, foi o primeiro a voar", afirmou.
 

"Will já havia morrido e Orv sentiu que precisava preservar o trabalho do seu irmão -- tinha medo que ele não fosse lembrado pela história do modo como deveria --, e por isso fez toda essa pressão a respeito do 'primeiro a voar'."
 

Os Wrights de fato foram os primeiros na realização de um vôo motorizado, sustentado e controlado -- façanha realizada com o aeroplano Flyer, em 17 de dezembro de 1903. Mas os irmãos nunca demonstraram que seu aeroplano era capaz de decolar sem alguma assistência (do vento, em 1903, ou de uma catapulta, a partir de 1904), sucesso que mais tarde seria obtido por Santos-Dumont, em seus vôos de 23 de outubro e 12 de novembro de 1906, com o famoso 14bis sob o olhar dos parisienses.
 

Solidão
Amanda e Mário ressaltaram durante o encontro as qualidades que Alberto, Wilbur e Orville tinham em comum. "Todos esses pioneiros eram geniais. É muito claro que eles viam as coisas de uma forma não-convencional", diz a sobrinha-bisneta dos Wrights. Para Mário Villares, essas características ajudam a explicar a solidão que esses personagens históricos viveram -- nenhum deles se casou e formou família.
 

"Essas pessoas eram um ponto fora da curva. Eram pessoas excepcionais e não era fácil para nenhuma mulher querer viver a vida que seria possível com eles -- eles não tinham tempo para mais nada, estavam absortos no seu trabalho com a aviação", diz o sobrinho-neto de Santos-Dumont. "Outra coisa era que o tio Will e o tio Orv eram muito, muito tímidos", diz Lane.
 

Mas os dois estão convictos de que seus ancestrais não se arrependeram de suas decisões mais tarde na vida -- pelo menos, foi o que lhes passaram seus pais. O pai de Amanda chegou a conviver com Orville (Wilbur já havia morrido), e o pai de Mário foi grande amigo de Santos-Dumont.
 

Eventos
O encontro de Amanda e Mário foi promovido por Fernando de Arruda Botelho, empresário que não tem medido esforços para divulgar a imagem de Santos-Dumont nos Estados Unidos, onde o inventor é praticamente desconhecido. Em setembro do ano passado, uma réplica do Demoiselle (o segundo e melhor dos aviões projetados pelo brasileiro) construída e pilotada por Arruda Botelho voou em Dayton, cidade dos irmãos Wright, a convite da Amanda.



O Demoiselle, de Santos-Dumont, e o Flyer Model B, dos Wrights, voam nos céus de Dayton, EUA


Agora foi a vez de o brasileiro retribuir a gentileza, convidando a americana para o Broa Fly-in, um evento de aviação que acontece entre em maio, na região de São Carlos, interior de São Paulo. É o primeiro de uma série de acontecimentos marcados para este ano com o intuito de divulgar a imagem de Santos-Dumont e dos pioneiros da aviação.

Ao chegar ao país, Amanda trouxe uma raridade de presente para Arruda Botelho -- um pedaço do tecido original que recobria a asa esquerda do Flyer de 1903, enquadrado.



Amanda Wright Lane presenteia Fernando Botelho (esq.) com pedaço do tecido do Flyer.


Nota do Editor do Blog:
Se fosse para catapultar objetos ou projetos igual aos dos Wright, já tinha catapultado meu microondas, minha geladeira, minha cama ou até minha sogra,eheheh, sem ofensas sogrinha, portanto "o tal avião" não decolou a partir do solo como fazem até hoje nossas aeronaves.
Portanto custo a acreditar que o primeiro avião seja aquilo que os Wright catapultaram, e ainda usaram uma colina e o vento a favor. Que mania de americano falar que eles é que inventaram isso ou aquilo, até a máquina de escrever roubaram aos brasileiros.
O 14 Bis vôou por seus próprios meios e o Dummont chamou metade de Paris para assistir a sua demonstração e invenção.



"Eu não fui apenas aviador...foi necessário ESTUDAR, PENSAR...e só depois voar!"
Alberto Santos Dummont


1 comentário:

  1. Parabéns pela publicação. Não vejo importância em ser o primeiro a voar, até porque muitos voaram, mas morreram em seguida. Todos são grandes heróis, incluindo Dumont e os Wrights. Quanto ao "invento", Davince também inventou, só não voou.

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