Brasil de oportunidades faz curso de português 'bombar'

O mexicano Marcilio Maclean, 21, chegou há cerca de um mês a São Paulo. O norte-americano Gaetano Iaccarino, 22, ficará na cidade por um ano. Já a espanhola Beatriz Puyol, 21, está quase no fim de sua estada de dois meses.

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Todos têm um propósito: vieram aprender português.

Os três jovens são donos de um discurso parecido. Acreditam que saber o idioma se tornou um diferencial profissional para o futuro e, por isso, escolheram São Paulo para um intercâmbio.

Para eles (e para muitos), o Brasil se tornou o país do presente --as permissões temporárias de trabalho dadas a estrangeiros aumentaram 65%, entre 2009 e 2011. No mesmo período, a emissão de vistos de estudantes cresceu 34% e a entrada de turistas no país subiu 33%.

O reflexo disso pode ser conferido nas salas de aula. Dez dos principais cursos e professores de português de São Paulo são unânimes em dizer: a procura por aulas do idioma disparou.

Na Espanha Aquí, aberta por um espanhol para atuar principalmente em multinacionais de seu país com sede no Brasil, os 400 estudantes atuais representam um aumento de 87% em relação ao ano passado (eram 215).

Na Berlitz já houve, neste semestre, 70% da quantidade de aulas de todo o ano passado (20 mil). Na Alumni, o número passou de 15 alunos mensais para 40.

A Faap (Fundação Armando Álvares Penteado) registrou um aumento de 110% no número de intercambistas estrangeiros entre os primeiros semestres de 2009 (123) e de 2012 (260) nos cursos de graduação. A maioria precisa fazer aulas extracurriculares de português, idioma das aulas.

Já a USP, que dá aulas para universitários estrangeiros, diz que a cada semestre tem que incluir mais opções de horários na grade.

VAI DAR SAMBA

A maior parte dos estrangeiros que procura aulas de português ainda é composta por trabalhadores de empresas multinacionais, como o coreano Ryan Ahn, 35.

Funcionário da área de marketing de uma grande empresa coreana, Ahn descobriu o Brasil por meio da "Antes [das aulas], não sabia sobre o país", diz ele, que veio a São Paulo estudar por um ano com um grupo de 16 colegas da empresa.

Mas um outro tipo de estudante começa a se destacar nas salas: os jovens, especialmente norte-americanos e europeus, que querem fugir das crises em seus países e veem o Brasil como uma terra de oportunidades.
"Meu sonho é ter uma empresa de organizações de eventos", diz a espanhola Beatriz, que faz um "intensivão" de português na PUC-SP.

"Volto a Madri no mês que vem para terminar a universidade, mas o Brasil está nos meus planos futuros de trabalho", empolga-se.

"Meus amigos disseram: 'Ah, você vai fazer samba em (sic) Brasil'?", brinca o norte-americano Iaccarino.
"O país tem muito mais do que isso. Faz parte dos Brics", diz, referindo-se ao grupo de nações em desenvolvimento composto por Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul. "Tem, tem... Opportunities", conta, enquanto estala os dedos à procura da palavra "oportunidades".


Editoria de Arte/Folhapress 

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