Curiosidades sobre o Hino Nacional do Brasil

Hino Nacional já teve duas outras letras
Conheça o Hino Nacional do Brasil, com a Introdução Original e Completo

Um dos símbolos da Pátria - juntamente com o brasão das armas nacionais e com a bandeira -, o Hino Nacional, tem música de Francisco Manuel da Silva e letra de Joaquim Osório Duque Estrada. A música foi composta cem anos antes da letra, em 1822, para comemorar a Independência do País. Até chegar à versão atual, o hino teve outras duas letras. A primeira delas foi criada quando Dom Pedro 1º abdicou do trono, e a segunda, na época da coroação de Dom Pedro 2º.
Dom Pedro I compondo o Hino Nacional brasileiro (hoje Hino da Independência), em 1822. Por Augusto Bracet.

Com a proclamação da República, em 1889, realizou-se um concurso para escolher um novo Hino Nacional. Mas a música vencedora teria sido hostilizada pelo público e pelo próprio presidente, Deodoro da Fonseca, porque a versão anterior já era bastante popular. Essa composição - Liberdade, liberdade - tornou-se então o Hino da República, que ficou mais popular em 1989 ao fazer parte do samba-enredo da escola de samba carioca Imperatriz Leopoldinense. A versão original, de Francisco Manuel da Silva, continuou como hino oficial do País.

A letra definitiva só foi adotada em 1922. Um novo concurso foi realizado em 1906 e o resultado saiu em 1909. Venceu o poema de Joaquim Osório Duque Estrada, oficializado por decreto do presidente Epitácio Pessoa. Escrito na época em que era moda no País o parnasianismo - corrente literária à qual se filiava seu autor -, o hino prima pela extrema erudição. São famosos o uso da ordem inversa e de termos distantes do cotidiano da maioria da população.

Autores
Joaquim Osório Duque Estrada nasceu em Pati do Alferes (RJ), em 1870, e formou-se em Letras por volta de 1893. Na época, já havia publicado seu primeiro livro de poesias, Alvéolos (1887). Entre 1891 e 1924, escreveu para jornais cariocas. Professor do Colégio D. Pedro 2º e da Escola Normal, foi poeta e crítico literário. Sua obra principal é A Arte de Fazer Versos, Crítica e Polêmica.

Francisco Manuel da Silva nasceu em 1795 também no Rio de Janeiro, onde morreu em 1865. Foi um dos fundadores da Imperial Academia de Música e Ópera Nacional; da Sociedade Beneficência Musical; e do Conservatório Imperial de Música, que deu origem ao Instituto Nacional de Música, futura Escola de Música da Universidade Federal do Rio de Janeiro.

Regras de comportamento
A maneira correta de se comportar durante a execução do hino está prevista na Lei 5700/71, que trata dos símbolos nacionais. No parágrafo único do artigo 30, o legislador desencoraja palmas após sua execução: como o Hino Nacional representa o próprio povo, considera-se descortês aplaudi-lo, pois seria como as pessoas aplaudirem a si mesmas.

A lei prevê também que o hino deve ser executado em continência à Bandeira Nacional, ao presidente da República, ao Supremo Tribunal Federal e ao Congresso Nacional. Também pode ocorrer a execução em situações como cerimônias religiosas de cunho patriótico, sessões cívicas e eventos esportivos internacionais.

A introdução do Hino Nacional já teve letra
Nem sempre a introdução do Hino Nacional do Brasil foi instrumental. Houve uma época em que essa parte do Hino apresentou letra.

Foram versos compostos por Américo de Moura quando ele foi presidente da provincial do Rio de Janeiro nos anos de 1879 e 1980:
"Espera o Brasil/ Que todos cumprais/ Com o vosso dever./ Eia, avante, brasileiros,/ Sempre avante!/ Gravai com o buril/ Nos pátrios anais/ o vosso poder./ Eia, avante, brasileiros,/ Sempre avante!/ Servi o Brasil/ Sem esmorecer,/ Com ânimo audaz/Cumpri o dever,/ Na guerra e na paz,/ À sombra da lei,/ À brisa gentil/ O lábaro erguei/ Do belo Brasil./ Eia, sus, oh sus!"
A palavra “SUS” , ensina o Dicionário Houaiss, é uma interjeição que vem do latim sus, de baixo para cima. Algo que chama à motivação: erga-se! No contexto dos versos é sinônimo de “em frente, avante..

Mas, quantas versões do Hino Nacional já existiram?
Desde que foi composto até chegar ao que conhecemos atualmente, o Hino Nacional teve cinco fases. As mudanças ficaram mais centradas na letra, porque a música não sofreu nenhuma grande alteração. Composta por Francisco Manuel da Silva em 1822, no fervor da declaração de independência, a música original (só instrumental, sem letra) - que é a primeira versão - foi batizada de Marcha Triunfal. Mas, para não disputar a atenção com a composição de dom Pedro I (que é hoje nosso Hino da Independência), Francisco achou melhor apresentar sua criação à nação em outra oportunidade.

Curiosidade: Uma lei determina que o tom do Hino Nacional seja si bemol para execuções instrumentais e fá maior quando acompanhado por voz!

VIRUNDUNS
Melodia e letra variaram segundo marcos históricos

Diga ao povo que vou
Em 1831, a música foi executada publicamente pela primeira vez, na despedida de dom Pedro I. Ele voltava para Portugal, deixando o trono para o filho. A letra celebrava a liberdade do Brasil. Foi rebatizada como Hino ao Sete de Abril - data da abdicação do imperador
- A cerimônia aconteceu no dia 13 de abril, considerado o Dia do Hino Nacional

Só no embromation
Em 1841, quando Dom Pedro II foi coroado, outra letra veio a público, exaltando o novo imperador. Essa versão foi chamada de Hino da Coroação de dom Pedro II. Durante o restante do período imperial, o hino existiu sem letra, carinhosamente conhecida como "Ta-ra-ta-ta-tchin"

Deixa pra lá...
Com a Proclamação da República, em 1889, era preciso readequar o hino. Em 1890, foi realizado um concurso, mas a canção vencedora não agradou nem ao marechal Deodoro da Fonseca. Então, ele manteve o antigo hino, ainda sem letra, por sua popularidade
- Por alguns meses, a Marselhesa foi tocada em eventos oficiais por simbolizar os ideais republicanos

Finalmente...
Em 1909, um novo concurso para escolher a letra consagrou o poema de Joaquim Osório Duque Estrada. Ele ainda fez 11 modificações em sua ideia original até que, em 6 de setembro de 1922, o presidente Epitácio Pessoa oficializou o Hino Nacional que conhecemos hoje


- No concurso, Joaquim Osório Duque Estrada ganhou 5 contos de réis (equivalente à metade de um carro, na época) e entrou para a Academia Brasileira de Letras.

Projeto de lei para mudar a letra pomposa e confusa
A letra do Hino Nacional, do mau poeta e péssimo gramático Osório Duque Estrada, está cheia de palavras difíceis (lábaro, plácidas, fúlgidos, garrida, impávido colosso, penhor, florão...), tem versos de empréstimo da "Canção do exílio", de Gonçalves Dias ("Nossos bosques têm mais vida; / nossa vida, mais amores"), num encaixe desajeitado ("em teu seio"), porque torna descontínuo o segundo verso, para manter o ritmo; tem um cacófato bravo (herói cobrado), uma ofensa ao país e ao povo, numa leitura denotativa que o poeta não percebeu ou ignorou (deitado eternamente em berço esplêndido); e tem inversões sintáticas terríveis que prejudicam a compreensão ("Ouviram do Ipiranga as margens plácidas de um povo heroico o brado retumbante", isto é, as margens plácidas do Ipiranga é que ouviram o brado retumbante de um povo heroico), e é longa, com dois momentos semelhantes que levam à confusão, na hora do canto ("Brasil de um sonho intenso..." e "Brasil de amor eterno..."). 

Antônio Rangel Bandeira, no livro Caixa de Música, editado com o número 118 pelo Serviço de Documentação do MEC, em 1959, informa as tentativas de modificação da letra, em particular do projeto do deputado federal Herófilo Azambuja, propondo alterações em alguns versos. Concordemos que alterar a letra é piorar o hino. O ideal seria um concurso nacional, propondo não alterações, mas uma letra nova, com uma única parte (por que duas?). Quem sabe não passaríamos mais pelo constrangimento de calar a boca em certa parte do Hino, esperando que outros mais afoitos ou de melhor memória o continuem por nós. Porque muitos desconhecemos se é o amor eterno ou o sonho intenso a meta prioritária do nosso patriotismo.

Há uma inversão sintática no verso "E o teu futuro espelha essa grandeza", que confunde até professores e tradutores. Ora, como o futuro ainda não existe, não pode espelhar nada. O sujeito e o objeto da sentença estão com suas posições trocadas. A grandeza é que espelha o futuro. Traduzindo: como o país é grande, essa grandeza espelhará o futuro, isto é, o futuro terá igual grandeza. Na Introdução à Linguística Teórica (Nacional / Edusp, 1979, nota 5, p. 101), John Lyons traz exemplos semelhantes em que o sujeito e o objeto estão invertidos na sentença. Em Os Lusíadas V, 24, Camões usa a anástrofe: "Enquanto o mar cortava a armada". Na verdade, a armada é que cortava o mar

Fontes: http://www.musica.ufrj.br
              http://revistalingua.uol.com.br
             Tiago José Berg, doutorando em geografia pela Unesp e autor do livro Hinos de Todos os Países do Mundo.

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